quinta-feira, 4 de março de 2021
Confinamentos e alterações climáticas: trapalhadas mediáticas
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Amor em tempos pandémicos
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Dois poemas sobre o estado do mundo
Os tempos que
atravessamos, adversos e inquietantes a vários níveis (social, ambiental,
psicológico, emocional), já o eram antes da entrada em cena da Covid. No entanto,
a pandemia veio exacerbar certos processos e revelar outros que tornaram mais
evidentes as disfuncionalidades das sociedades em que vivemos (ver p.ex. um post
anterior), nomeadamente as formas de governação cada vez mais autoritárias
e menos democráticas, e a influência nefasta dos media na decisão política e na manipulação da opinião pública. No
que respeita à crise pandémica, sinto que é cada vez mais necessário e urgente denunciar
(e resistir) não só a campanha de medo mediática que dura há mais de um ano (ver
p.ex. aqui
ou aqui),
como também a verdadeira pandemia autoritária em curso (ver p.ex. aqui),
apelidada por alguns de terror sanitário (ver p.ex. aqui).
Não deveríamos tolerar a propaganda permanente que é despejada pelos media (e amplificada pelas redes
sociais), sob a aparência de informação.
Sobre este tema, recomendo o visionamento do recente documentário ‘Ceci n’est pas um complot’ do realizador belga Bernard Crutzen que, sem recorrer a teorias rebuscadas ou a argumentos ideológicos, faz um historial da evolução das narrativas mediáticas na Bélgica, com evidentes paralelismos com o que se passou noutros países: ver aqui ou aqui (versão original em francês; é possível selecionar legendas em inglês ou tradução automática em português).
O programa em poucos séculos (Le programme en quelques siècles; ‘Les Poèmes Indésirables’, 1945)
Vai suprimir-se a Fé
Em nome da Luz,
Depois suprime-se a luz.
Vai suprimir-se a Alma
Em nome da Razão,
Depois suprime-se a razão.
Vai suprimir-se a Caridade
Em nome da Justiça,
Depois suprime-se a justiça.
Vai suprimir-se o Amor
Em nome da Fraternidade,
Depois suprime-se a fraternidade.
Vai suprimir-se o Espírito de Verdade
Em nome do Espírito Crítico,
Depois suprime-se o espírito crítico.
Vai suprimir-se o Sentido da Palavra
Em nome do sentido das palavras,
Depois suprime-se o sentido das palavras.
Vai suprimir-se o Sublime
Em nome da Arte,
Depois suprime-se a arte.
Vão suprimir-se os Escritos
Em nome dos comentários,
Depois suprimem-se os comentários.
Vai suprimir-se o Santo
Em nome do Génio,
Depois suprime-se o génio.
Vai suprimir-se o Profeta
Em nome do poeta,
Depois suprime-se o poeta.
Vão suprimir-se os Homens do Fogo
Em nome dos Esclarecidos,
Depois suprimem-se os esclarecidos.
Vai suprimir-se o Espírito
Em nome da Matéria,
Depois suprime-se a matéria.
EM NOME DE NADA IRÁ SUPRIMIR-SE O HOMEM;
SUPRIME-SE O NOME DO HOMEM;
DEIXARÁ DE HAVER NOME;
JÁ CÁ ESTAMOS.
O segundo poema parece ter sido inspirado no de Robin e foi publicado em Novembro de 2020 pelo filósofo italiano Giorgio Agamben, uma das vozes que tem colocado em causa, desde o início da pandemia, as narrativas oficiais e mediáticas (ver aqui):
Foi abolido o amor
em nome da saúde
depois será abolida a saúde.
Foi abolida a liberdade
em nome da medicina
depois será abolida a medicina.
Foi abolido Deus
em nome da razão
depois será abolida a razão.
Foi abolido o homem
em nome da vida
depois será abolida a vida.
Foi abolida a verdade
em nome da informação
mas não será abolida a informação.
Foi abolida a constituição
em nome da emergência
mas não será abolida a emergência.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Húbris by Pfizer
Notas:
1.
Húbris: palavra grega cujo significado original pode ser traduzido como
"tudo o que passa da medida; descomedimento" e que actualmente alude
a uma confiança excessiva, um orgulho exagerado, presunção, arrogância ou prepotência.
2.
Para evitar ser acusado de ‘anti-vaxxer’, faço notar que não ponho em causa a
utilidade das vacinas para mitigar uma epidemia viral (a varíola é o exemplo
mais óbvio). No entanto, a forma apressada como estas vacinas foram autorizadas
e validadas para uso massivo, as disputas e negociatas entre as farmacêuticas e
com os estados, e as dúvidas e reservas colocadas por vários cientistas, não me
deixam nada tranquilo nem convencido da sua eficácia, ainda para mais num clima
de histerismo colectivo e de propaganda mediática que já não era propício à
tomada de decisões sensatas e equilibradas.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2020
Retomar o fio à meada
Depois de mais de 6 meses de ausência, retomo a escrita neste ‘blog’ para assinalar o final do ano 2020, que deixará muitas e variadas recordações – algumas boas, mas muitas outras, certamente, menos boas. E também saudar o novo ano 2021, que nos chega ensombrado de várias incertezas e inquietações. Embora as vicissitudes porque passámos em 2020 tenham levado muita gente a considerá-lo como um ‘ano para esquecer’ (ver p.ex. aqui ou aqui), eu, pelo contrário, considero que será um ano que dificilmente esquecerei. Creio mesmo que deveríamos tirar muitas ilações de tudo o que aconteceu se quisermos de facto mudar um rumo colectivo que há já demasiado tempo se dirige para um futuro pouco promissor.
O tema da pandemia da Covid-19 atravessou inevitavelmente os meus ‘posts’ do ano passado e estou a preparar outros que não fugirão à regra. Embora o seu impacto não tenha sido igual em todo o mundo e em todas as pessoas, a pandemia gerou debates acalorados, mas também muitas divisões e ainda mais perplexidades. Infelizmente, muitas das suas consequências mais profundas estão ainda para vir: sanitárias (agravamento de doenças não-respiratórias), económicas (desemprego, falências de pequenos negócios e empresas), sociais (aumento das desigualdades e da pobreza), ambientais (impactos negativos que poderão suplantar impactos positivos iniciais) ou psicológicas (impactos do isolamento e da ansiedade). A imagem que escolhi para ilustrar este ‘post’ chegou-me no início de Janeiro e pretende introduzir uma nota de ironia (ou, talvez para alguns, de humor negro) que me pareceu adequada para assinalar este momento de transição para aquilo que alguns já chamam a ‘era pós-covid’.
Para não fugir às habituais resoluções que acompanham esta transição do calendário, espero em 2021 retomar as escritas neste ‘blog’ com maior regularidade. Na verdade, as oportunidades para respigar nunca cessaram e continuei o meu trabalho de pesquisa nos bastidores. Conto recomeçar a partilhá-lo aqui muito em breve. Por agora, deixo uma lista de ligações para fontes de opinião e de informação sobre a pandemia que estão em contra-corrente com as narrativas oficiais e mediáticas dominantes (no final deste 'post'). Não sou ‘negacionista’ da pandemia (o vírus e a epidemia que provocou são reais e preocupantes), mas ponho em causa aquilo que considero os contornos mais sinistros e nefastos dos tempos que atravessámos: por um lado, a miopia, desproporção e insensatez das medidas de mitigação adoptadas por muitos governos (exagerando o risco e distorcendo as evidências científicas muito para lá do aceitável), e por outro, as campanhas de medo, de histerismo e de autêntica desinformação e manipulação alimentadas pelos media convencionais – em particular, a permanente (e chocante!) descontextualização dos dados sobre a pandemia e a (quase) ausência de debate aberto e de pluralismo na sua discussão. Em conjunto, estes dois aspectos transformaram uma crise sanitária numa crise social de proporções inimagináveis, cujos contornos extremamente gravosos levaram a que a apelidassem de pandemia autoritária ou de ‘scamdemic’. Prefiro pensar nela como sindemia, termo invocado pelo editor da revista científica ‘The Lancet’ para enfatizar o seu carácter sistémico (aqui), em particular a sua dimensão social, alertando para que qualquer solução puramente biomédica contra a Covid-19 irá falhar e defendendo a necessidade dos governos elaborarem políticas e programas para reverter as profundas disparidades sociais, caso contrário as nossas sociedades nunca estarão verdadeiramente protegidas contra qualquer epidemia de igual envergadura (ver também aqui ou aqui).
Fontes de informação alternativa sobre a pandemia:
Em português:
Plataforma Cidadania XXI: http://www.cidadaniaxxi.eu/ https://www.facebook.com/plataformacidadaniaXXI/
Pedro A. Vieira: https://noscornosdacovid.blogspot.com/
Raquel Varela: https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/
Lourdes Cerol Bandeira: https://lourdescerolbandeira.eu/
Casa das Aranhas: https://casadasaranhas.com/
Noutras línguas:
Canadá: https://muchadoaboutcorona.ca/
Reino Unido: https://off-guardian.org/the-coronavirus-pandemic/
https://www.contagionlive.com/disease-specific-topics/coronavirus
https://inproportion2.talkigy.com/
Suiça: https://swprs.org/facts-about-covid-19/
Irlanda: https://thefatemperor.com/blog/
França: https://covidinfos.net/
Bélgica: https://www.kairospresse.be/
terça-feira, 30 de junho de 2020
Turismo (e 'economia') über alles
https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2020-06-18-covid-19-portugal-entre-os-paises-a-vermelho-que-precisam-de-entrar-em-acao/ https://sol.sapo.pt/artigo/699702/lisboa-com-sinal-vermelho
https://www.jn.pt/nacional/portugal-e-o-segundo-pais-da-ue-com-mais-novos-casos-nos-ultimos-14-dias-12303019.html
Segundo esta última notícia: "Nas últimas semanas, a maioria dos novos casos têm surgido na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde as autoridades de saúde adotaram uma estratégia de 'testagem massiva'." Não admira que os 'novos casos' continuem a aumentar!... Claro que faltaria explicar que pessoas contraem afinal o vírus e se têm sintomas ou se são internadas...
Em compensação, a 'economia' vai retomando e na segunda metade de Junho tivemos a notícia da reabertura dos centros comerciais, ocasião que teve até direito à benção de D. Marcelo (que foi alegadamente testemunhar o 'processo de normalização') e a uma saudação com palmas pelos trabalhadores de um famoso grande armazém, equipados com máscaras a condizer com o lema da campanha de reabertura - 'Consigo voltamos a sorrir':
https://www.noticiasaominuto.com/pais/1509405/lisboa-aplausos-na-abertura-de-centros-comerciais-e-visita-de-marcelo
Mas uma das grandes preocupações do momento é o muito desejado (por alguns!) regresso dos turistas, atendendo às quebras dramáticas nos números de visitantes e nas receitas do sector nos meses de Abril e Maio:
https://www.publico.pt/2020/06/16/local/noticia/turismo-lisboa-convida-portugueses-desopilar-promocoes-1920787
https://www.publico.pt/2020/06/05/fugas/noticia/madeira-acores-alentejo-algarve-top-destinos-seguros-europa-1919553
A estratégia é elogiada neste artigo que insiste na narrativa de que, por sermos 'alunos' exemplares e termos muitos prémios, vai tudo correr bem e podemos continuar a fazer a mesma coisa - só temos de passar 'um ano de caminho de pedras': https://visao.sapo.pt/opiniao/ponto-de-vista/covidiario/2020-04-17-o-turismo-foi-a-nossa-tabua-de-salvacao-para-a-crise-mas-agora-a-tabua-esta-esburacada/
O expediente para trazer turistas ao país passa por tentar criar 'pontes aéreas', mesmo com países com taxas elevadas de infectados e mortos, como o Reino Unido (mas que pode estar em risco):
https://www.theguardian.com/world/2020/jun/03/air-bridge-linking-uk-to-portugal-may-be-agreed-by-end-of-june
https://www.noticiasaominuto.com/economia/1495140/saudades-de-viajar-voos-da-tap-irresistiveis-para-as-ferias-de-verao
quarta-feira, 20 de maio de 2020
O regresso da droga legal
Vem isto a propósito das notícias recentes nos media nacionais e internacionais sobre o regresso do futebol, que também tinha ficado suspenso em consequência da pandemia da Covid-19 (ver p.ex. aqui ou aqui). Na verdade, para além da 'reabertura da economia', o governo já vinha anunciando que iria autorizar a retoma do "desporto-rei" (ver aqui ou aqui). Só que os adeptos terão de permanecer em casa, não podendo rumar aos estádios, e a realização dos jogos, mesmo sem público, terá de respeitar diversas medidas sanitárias - também aqui se fala de uma "nova normalidade" (ver p.ex. aqui). Mesmo assim, as perspectivas de "matar a fome de bola" (expressão usada pela directora executiva da FPF, segundo esta breve notícia) estão mais próximas de se tornar realidade. E como não há fome que não dê em fartura, prometem jogos todos os dias da semana para saciar os adeptos mais desnutridos, muitos dos quais já deviam estar a sofrer de síndrome de abstinência. Como escreveu José Pacheco Pereira num artigo de opinião no Público em 2018: "Há muitas coisas que ajudam a estupidificar o país. Mas, nos dias de hoje, a mais eficaz é o futebol. (…) O futebol é a coisa mais parecida com a máfia que existe em Portugal — ou melhor, é a nossa máfia lusitana. Eles produzem a cocaína, muitas vezes em sentido literal, mas a rede de distribuição é a comunicação social. (…) O futebol é um estimulante, com efeitos anestésicos, utilizado fundamentalmente como uma droga recreativa, muito útil quando há pouco pão, para que haja muito circo." Na situação actual, é também um pretexto para esquecer as amarguras do coronavírus, pelo menos durante duas horas, como defende um futebolista galego do Real Madrid (ver aqui).

















