The Wasteocene (…) has been defined as the age
of wasting relationships producing wasted people and ecosystems. (O Lixoceno tem sido definido como a era das relações
desgastantes, produzindo pessoas e ecossistemas
desperdiçados/desgastados) Marco Armiero
The vastness of devastation is at once vacant and
full, spacious beyond measure and running out of room, barren and strewn with
debris, a desert and a dump. (A vastidão da
devastação é ao mesmo tempo vazia e cheia, espaçosa para além da medida e sem
espaço, estéril e coberta de detritos, um deserto e uma lixeira) Michael Marder
Regra do ‘manual de instruções’ do Wasteocene: “Não te perguntes onde vão parar os restos indesejados do teu bem-estar.”
(non chiederti dove vanno a finire i resti
indesiderati del tuo benessere) Marco Armiero
The diminution of the sensible diminishes who we are,
as opposed to what we come to possess. The squashing of the senses by the
stimuli dumped onto them is the quashing of our being. (A redução do sensível diminui quem somos, por
oposição ao que possuímos. O esmagamento dos sentidos pelos estímulos
despejados sobre eles é a anulação do nosso ser) Michael Marder
Já tinha abordado
aqui
em 2023 o tema da exaustão, não
apenas como sintoma dos paradigmas
sociais dominantes do produtivismo, do consumismo, do excesso e do desperdício,
mas também como condição que nos rouba
a capacidade de atenção e cuidado. Retomo-o agora novamente a propósito
de documentários recentes das cadeias internacionais France 24 e Deutsche Welle
(DW) sobre o tema da fadiga mediática (media
fatigue), mas também com base em textos ou livros que empregam as palavras
inglesas ‘waste’ ou ‘dump’ para caracterizar as sociedades
modernas, recorrendo a neologismos como Wasteocene
ou Garbocracy, dos seguintes autores:
Zygmunt Bauman (sociólogo e filósofo), Marco Armiero (historiador), Sayan Dey (pensador
decolonial e historiador) e Michael Marder (filósofo). O lixo que produzimos e
se acumula à nossa volta, mais ou menos à vista de todos, tornou-se um símbolo
de uma época, mas é, ao mesmo tempo, o produto de um sistema socioeconómico que
extrai, consome e descarta bens ou recursos, sejam eles materiais, naturais ou
humanos. Acontece
que a palavra inglesa ‘waste’ pode
ter significados distintos, como lixo ou desperdício, mas também como desgaste
ou devastação. É a partir desta ambiguidade de sentidos que irei desenvolver
este escrito.

Um mundo exausto:
da fadiga e bulimia informacionais ao Lixoceno (Wasteocene)
Vivemos num ciclo de fadiga e descarte: um mundo sobrecarregado de crises,
conteúdo digital e ruído, onde a nossa resposta emocional — apatia ou alienação
— torna-se tanto sintoma quanto mecanismo de reprodução das lógicas de consumo,
exclusão e destruição. A exaustão
e a dessensibilização
parecem estados normais de existência. Notícias incessantes, crises
sobrepostas, estímulos digitais constantes — tudo se acumula numa sobrecarga
que não nos esvazia apenas emocionalmente, mas também politicamente. É um
cansaço que prepara terreno para a indiferença - uma forma de anestesia
social. Chamam-lhe “crisis
fatigue”, “news fatigue”, “internet fatigue” (ver p.ex. aqui). Programas
recentes da DW (ver aqui
e aqui)
documentam e analisam estes processos: exposição prolongada a más notícias e
estímulos digitais fragmentados leva a distanciamento e dessensibilização — um
tipo de habituação emocional que protege no curto prazo, mas corrói a
capacidade de resposta no longo prazo. No primeiro programa, observa-se que “o
organismo humano pode habituar-se a estímulos negativos... enquanto o doomscroller passivo se dessensibiliza”;
e no segundo, constata-se que a internet
manipula as emoções, gerando um estado de anedonia digital. Também a France 24 noticiou
(aqui) um fenómeno com impactos
semelhantes - a ‘fadiga noticiosa’ - e registou a tendência estrutural resultante
de ‘news avoidance’ (ver também aqui),
apresentando aquilo que apelidou de “jornalismo de soluções” como antídoto
parcial ao sensacionalismo do “jornalismo da catástrofe”. No entanto, nestes
documentários as análises não vão ao cerne dos fenómenos que descrevem: o sistema
socioeconómico que está na sua origem.

De facto, o
torpor da fadiga mediática não é apenas psicológico. Ele é sintoma de uma ecologia
política da acumulação e do descarte: aquilo que Marco Armiero, no seu livro de 2021, apelida de Wasteocene (que pode traduzir-se por Lixoceno*) —
uma época em que o planeta é reconfigurado como lixeira global, resultado de regimes de extração, barreiras
fronteiriças e sacrifício territorial que empurram para longe (e para baixo) os
custos da Modernidade. Com aquele termo (proposto pela primeira vez num artigo de 2017), Armiero procura desmistificar a narrativa tradicional do
Antropoceno, apontando o capitalismo como a força motriz por trás da crise
socioecológica e transferindo a responsabilidade da espécie humana, considerada
um grupo indistinto que compartilha a mesma culpabilidade, para um sistema
económico e as suas consequências nocivas. O autor enfatiza a natureza contaminadora
do capitalismo e a sua persistência no tecido sociobiológico, além de revelar a
acumulação de efeitos colaterais, tanto nos corpos humanos quanto no planeta.
De facto, o lixo, ou melhor, o refugo, que o livro aborda não é apenas o das
lixeiras ou aterros sanitários, mas também o dos seres humanos que o sistema
empurra para as margens da sociedade - as comunidades vulneráveis que suportam
as dificuldades evitadas por aqueles que desfrutam do bem-estar - que Armiero
apelida de “lixeiras socioecológicas”. O autor escreve: “The divide
between who and what is worth and who and what is worthless is the key feature
of this concept that states loud and clear that we are not in this crisis
together. Someone is paying the price for someone else’s well-being.” (A
divisão entre quem e o que vale a pena e quem e o que não vale nada é a
característica fundamental deste conceito que afirma, alto e bom som, que não
estamos juntos nesta crise. Alguém está a pagar o preço pelo bem-estar de outra
pessoa)

Zygmunt Bauman já havia diagnosticado esta
outra face daquele processo no seu livro de 2003 “Wasted Lives: Modernity and its
Outcasts”. Segundo o autor, a Modernidade, na sua dinâmica de “ordem” e
progresso, produz “vidas desperdiçadas”
— populações redundantes para a lógica do mercado e da mobilidade global,
tratadas como excedentes a gerir, deslocar ou conter. Bauman defende que esta
redundância é consequência da disseminação global e do triunfo dos processos de
modernização: “A produção de ‘resíduos
humanos’ [human waste]… (o
‘excessivo’ e o ‘redundante’, isto é, aqueles que não puderam ou não foram
desejados para serem reconhecidos ou autorizados a permanecer) é um resultado
inevitável da modernização”. Estes processos podem, em grande parte, ser
entendidos em termos da colonização de todos os aspectos da vida, de todos os
espaços e lugares, pelas forças, práticas e processos de mercado sob regimes de
acumulação de capital. À medida que os processos de modernização se tornaram
verdadeiramente globalizados, à medida que “a
totalidade da produção e do consumo humanos se tornou mediada pelo dinheiro e
pelo mercado, e os processos de mercantilização, comercialização e monetarização
dos meios de subsistência humanos penetraram em todos os cantos do globo”,
então a “crise da indústria de eliminação
de resíduos humanos” (ênfase no original) tornou-se mais aguda.

Num ensaio recente, Sayan Dey, que cita quer
Bauman, quer Armiero, introduz o conceito adicional de “waste-ing”, que define como “a social, political, and ecological practice
of consistently producing wasted
bodies, identities, ideologies, and ecologies” (uma prática
social, política e ecológica de produção sistemática de corpos, identidades,
ideologias e ecologias descartados/devastados). Dey afirma que o desperdício, enquanto
entidade física e ideológica, se realiza através da legitimação da desumanização,
da exclusão e da carnificina, e da deslegitimação da humanidade, da inclusão e
do cuidado. O autor reforça as teses de Bauman e Armiero, defendendo que, no
Lixoceno, o mundo com humanos, plantas e animais foi convertido numa “lixeira
gigantesca” que é produzida e mantida através de práticas de fortificações e
fronteirizações pelas comunidades sociopolitica- e economicamente privilegiadas
para garantir que os seus espaços geopolíticos estão livres da “sujidade” que
eles próprios produziram: escravos, refugiados de guerra, refugiados climáticos
e migrantes. Dey refere que, no entanto, a era actual não compreende apenas
vitimização e opressão, mas também abrange condições de resistência. Através de
uma experiência contínua de ser discriminado e violentado, o corpo descartável
torna-se um corpo político, insurgindo-se através do “commoning” (ver adiante). No seu livro Garbocracy: Towards a Great Human Collapse,
Sayan Dey explora como a acumulação e o descarte de lixo na Índia são
impulsionados por factores diversos, incluindo aspectos sociais, culturais,
políticos, económicos, comunitários, de casta ou religiosos. Ele argumenta que
as experiências desagradáveis geradas pela visão e pelo cheiro do lixo não são
apenas físicas, mas também psicológicas, neurológicas, estruturais,
institucionais, tangíveis e intangíveis. O descarte inadequado de lixo em
locais públicos gera diversos problemas de saúde e impacta negativamente o
estado social, cultural, político e económico de indivíduos e comunidades. O
objetivo principal do livro é revelar como os padrões e intenções sociopolíticas
por trás do descarte gradualmente transformam montanhas de lixo em entidades
autoritárias que governam os padrões habituais de pensamento, comportamento e acção
dos seres humanos. A obra introduz o conceito de "garbocracy" para revelar como o poder e a opressão estão
embutidos na organização do espaço, das comunidades e do conhecimento. O livro
enfatiza a necessidade de se libertar não apenas do lixo espalhado por toda
parte, mas também da lógica que organiza a divisão entre pureza e imundície,
desperdício e valor.
A fadiga e o
descarte alimentam-se mutuamente
Como vimos, a
fadiga informacional e a dessensibilização não são apenas efeitos colaterais da
tecnologia; são tecnologias sociais
ao serviço de um modelo que precisa de atenção volátil, rotatividade permanente
e obsolescência programada — de bens, de afectos, de narrativas e, finalmente,
de vidas. No capitalismo de
plataformas e da financeirização, o valor extrai-se onde houver
fluxo (cliques, dados, mercadorias, pessoas). O resultado é uma gramática do
descarte:
- descartamos atenção: quando
tudo compete, nada importa por muito tempo e temos terreno fértil para apatia e
“doomscrolling”;
- descartamos afectos: as emoções
são capturadas, aceleradas e esgotadas; quando a dor e o medo são ‘conteúdos’,
a compaixão e a confiança transformam-se em ruído de fundo;
- descartamos territórios e pessoas:
são criadas zonas de sacrifício ambiental e cordões sanitários para
‘excedentes’ humanos – refugiados, trabalhadores descartáveis, populações
racializadas –,que Bauman descreveu como “gestão do excesso humano”;
- descartamos o próprio mundo:
o Lixoceno de Armiero é a materialização geopolítica desse ciclo: fortificações e fronteiras mantêm ‘limpos’ os espaços dos
privilegiados, enquanto exportam ‘sujidade’, risco e morte.
Assim, fadiga
(subjetiva) e descarte (objetivo) são duas faces do mesmo
processo. A saturação que nos anestesia é a mesma que mantém invisível a
logística do extermínio lento — do lixo digital ao ar irrespirável, dos campos
de detenção às costas transformadas em valas comuns do século XXI. No
Lixoceno, o lixo não é apenas subproduto: é parte integrante do próprio
funcionamento do sistema. Para gerar valor, é preciso simultaneamente gerar
descarte.
O modelo
socioeconómico-cultural dominante é o motor
Estes são
alguns dos seus componentes:
- Extractivismo expandido:
não só de minérios e florestas, mas de atenção
e afectos.
Plataformas tratam emoções como matéria-prima; a sua escassez programada sustenta
o ciclo “choque-clique-cansaço-descarte”.
- Financeirização e obsolescência:
a pressão por rendimentos de curto prazo acelera ciclos de produto e gera resíduos físicos e
sociais. Bauman já via a modernidade como máquina de produção de excedentes humanos;
hoje, o excedente é também de dados, conteúdos e ansiedades.
- Fronteirização: o Lixoceno
não é homogéneo; é espacialmente
seletivo. Barreiras, zonas francas, parques de lixo tóxico e
corredores logísticos desenham um mapa onde a limpeza de
uns é garantida pela sujidade de outros.
- Cultura da aceleração: o
novo substitui o novo antes de significar algo. Isso esmaga memória e cuidado,
corta a duração necessária para a compaixão se converter em compromisso — e
converte cidadania em fadiga e exaustão.
A toxicidade
ontológica
No seu ensaio
“Being Dumped” (que já tinha citado anteriormente aqui), Michael Marder conduz a reflexão para
a esfera ontológica e ética: nas nossas sociedades modernas não descartamos
apenas coisas e pessoas; somos descartados
num “dump” ontológico — uma toxicidade do existir em que
matéria, significados e corpos se tornam resíduos difusos e descartáveis. O
autor escreve: “Vivemos e morremos num
depósito [dump] de ideias, corpos,
sonhos, materiais, fragmentos de relações, trechos sonoros e memes,
descontextualizados e desistoricizados, produzidos como lixo, recortados,
isolados e atirados para uma enorme salganhada no que resta do que costumava
ser um mundo. (…) Vivendo numa lixeira,
somos movidos, produzidos e reproduzidos por ela, como por nós próprios. Em
grande parte, e embora tecnicamente vivos, estamos ali a morrer, desmembrados,
deitados fora, descartados, alienados da nossa alienação, passando a amá-la ou
completamente indiferentes, apáticos, não mais envolvidos, anestesiados com
analgésicos fabricados farmacêutica- e ideologicamente. A lixeira vive-nos,
vive para nós. Assume o movimento, a
produção e a reprodução da mundo-em-destruição, destruindo o próprio ser-mundo
do mundo.” Para Marder, “A lixeira global é um deserto que se estende sobre a terra e nas zonas hipóxicas
dos oceanos. Quanto mais há, quanto mais cresce — imitando a atividade daquilo
a que os gregos chamavam physis e os
latinos conheciam como natura —,
menores são as oportunidades de florescimento futuro e de crescimento finito.”
Marder
propõe que não estamos apenas a viver entre desperdício
e lixo, mas a ser descartados
no próprio plano do ser – uma experiência difusa de contaminação ontológica:
significados degradados, mundos comuns corroídos, tempos saturados. Ele
escreve: “Num abandono generalizado do
ser, o deserto cresce fora e dentro daqueles que o abrigam. Somos abandonados
pelo ser na medida em que abandonamos o ser. Hoje — ou melhor: esta noite, na
noite rastejante e sem limites do mundo — na noite de hoje, então, o ser está a
ser descartado.” A força das palavras de Marder reside em mostrar que o
lixo não é meramente resíduo:
é regime – o modo
como o mundo se organiza quando o valor de troca coloniza o valor de uso da
vida. Para Marder não são apenas coisas ou lugares que são descartados, mas
também relações, memórias e afectos. Descartar é também negar a coabitação,
cortar laços de cuidado.
Fios de
saída: contra-lógicas do cuidado e do comum
Se
a gramática dominante é a da fadiga e do descarte, como reescrevê-la? Dei
algumas pistas nos meus posts sobre preguiça,
ócio e atenção (aqui)
e sobre deserção (aqui).
Aqui passo a acrescentar outras:
- Desaceleração informativa:
reduzir o ruído e o frenesim para restituir atenção
— não como fuga, mas como reabertura à lucidez
e à sensatez (curadoria, jornalismo de soluções, apelos à acção
concreta ao invés de pânico difuso).
- Commoning (Dey/Armiero): reconstruir os comuns socioecológicos —
água, solo, ar, alimentos, dados, vizinhanças, conhecimento — como
infraestruturas de resistência à lógica da mercadorização e do descarte; ver p.ex. aqui
(Comuns).
- Política de responsabilização:
internalizar custos (ambientais, sociais, informacionais) que foram externalizados para
periferias humanas e territoriais.
- Cartografias do Lixoceno:
tornar visíveis as redes de descarte
(do cobalto ao lixo digital; dos campos de refugiados aos “desertos
alimentares”; das “nuvens digitais” às centrais elétricas) e conectá-las às tramas
financeiras e legais que as viabilizam.
Do Lixoceno
ao Devastoceno
Como vimos, a
fadiga não é um efeito colateral isolado, mas parte de um modelo socioeconómico
e cultural que precisa do nosso cansaço para funcionar. Cansados, reagimos
menos; dessensibilizados, aceitamos mais. O ciclo fecha-se: enquanto alguns
acumulam valor, outros (comunidades, ecossistemas e o próprio planeta) acumulam
lixo ou são descartados. O Lixoceno parece-se mais com um Devastoceno**, uma era em que a exaustão e o descarte devastam corpos,
comunidades e territórios – tal como afirma Marder na segunda citação que abre
este post.
No ciclo Fadiga-Dessensibilização-Descarte,
a saturação informacional e emocional cria as condições para reproduzir as ‘lixeiras socioecológicas’ e
a ‘toxicidade ontológica’ do Lixoceno/Devastoceno — o cansaço bloqueia a
empatia politizável e mantém invisível a ‘gestão de excedentes’. A máquina moderna de produzir descartados
do capitalismo global (plataformizado e financeirizado) precisa de excedentes humanos
e ambientais; Bauman forneceu a chave sociológica, Armiero a chave ecológica,
Marder a chave ontológica. Já para Dey, a gestão de excedentes ou descartados
torna-se forma de administração institucional da vida e da morte. Mas Armiero e
Dey relembram que o Lixoceno também gera linhas de fuga:
práticas de comum, solidariedades e contranarrativas capazes de regenerar mundos partilhados
e habitáveis – ver também aqui.
Como
habitantes do Lixoceno/Devastoceno, fomos treinados para o
cansaço e para aceitar o mundo como uma lixeira inevitável. Mas
se a
fadiga e o descarte são sintomas e instrumentos do modelo dominante, a possibilidade de transformação
convida a práticas de ressensibilização:
desacelerar para ver, reaprender a cuidar e construir coletivamente alternativas.
Os passos críticos para reverter o Devastoceno seriam converter
atenção em duração,
compaixão em compromisso
e indignação em comum.
Nomear o Lixoceno, reconhecer as vidas desperdiçadas e admitir o ‘descarte
ontológico’ não servem para soçobrar; servem para relocalizar responsabilidade
e reterritorializar o cuidado.
A saída não deverá ser moralista nem individualista, mas sim política, infraestrutural e coletiva. Trata-se
de deslocar a atenção do ruído e da fadiga para o que está vivo, de recusar o
destino de lixo – para nós, para os outros e para o planeta – bem como a
devastação do capitalismo e da modernidade.
Notas:
* Ver p.ex.: Gaboardi & Nunes (2021). Antropoceno,
Capitaloceno e Lixoceno: diferentes abordagens sobre as relações sociedade-natureza.
(aqui)
** Criei esta palavra a partir da raíz latina do verbo devastar
– devasto, devastare – que significa arruinar ou destruir, para enfatizar que
o Lixoceno provoca uma devastação de corpos e territórios.