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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Celebrar o Dia do Ambiente, todos os dias!

Ontem (5 Jun) celebrou-se internacionalmente mais um Dia Mundial do Ambiente, este ano com o tema da poluição do ar:
https://www.unenvironment.org/events/un-environment-event/world-environment-day-2019
https://nacoesunidas.org/onu-e-ministerio-do-meio-ambiente-se-unem-para-combater-poluicao-do-ar-em-dia-mundial/
Com eventos também em Lisboa e noutros pontos do país:
https://zero.ong/venha-conhecer-connosco-exemplos-de-sustentabilidade-em-lisboa-capital-verde-europeia-2020/
Até o presidente Marcelo se apropriou da palavra de ordem das greves estudantis - 'Não há Planeta B' - para assinalar a data:
https://expresso.pt/politica/2019-06-05-Marcelo-subscreve-slogan-ambientalista-Nao-ha-planeta-B
https://www.publico.pt/2019/06/05/p3/noticia/nao-ha-planeta-b-marcelo-adopta-lema-dos-jovens-ambientalistas-1875510
No Vaticano, o Papa assinalou a efeméride e alertou para o problema da pegada ecológica crescente, relembrando os quatro anos que decorreram desde a publicação da sua encíclica 'Laudato Si' (18 Junho 2015), cujas principais mensagens estão longe de terem sido ouvidas e, ainda menos, postas em prática:
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-06/tuite-papa-francisco-dia-mundial-meio-ambiente.html
https://transicao_ou_disrupcao.blogs.sapo.pt/laudato-si-um-manifesto-politico-sobre-20890
Em Portugal, o dia em que excedemos a capacidade regenerativa do território vai recuando no calendário, tendo ocorrido este ano no dia 28 Maio, segundo estimativas divulgadas pela Zero:
https://zero.ong/zero-alerta-para-o-uso-excessivo-dos-recursos-naturais-em-portugal-overshoot-day-antecipado-em-21-dias/

Aproveito para sugerir visionamento de dois excelentes documentários que retratam de forma tocante a nossa relação com a natureza e com os alimentos, através de belíssimas imagens e histórias:
- 'Terra' de Yann Arthus-Bertrand e Michael Pitiot (2015): https://youtu.be/31P-XBa48K8 (versão dobrada em PT-BR)
- 'Seed - the untold story' de Jon Betz e Taggart Siegel  (2016):
https://vimeo.com/253931223 (versão c/ legendas PT)
Post sobre este último documentário: https://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/2018/02/sementes-preciosas.html
Celebremos então o Dia do Ambiente, todos os dias, o melhor que pudermos, onde e com quem estivermos. Por exemplo, partilhando ou promovendo o visionamento destes documentários.
Finalmente, deixo uma imagem retirada de uma das sequências mais marcantes do documentário 'Terra', que se podia chamar ' o voo do rinoceronte':

sexta-feira, 10 de maio de 2019

A toxicidade da 'cultura' norte-americana

Chegou-me um texto publicado no site 'Outras Palavras' (link mais abaixo) que cita estudos da Associação Americana de Psicologia a propósito do lançamento de mais um  filme da saga dos super-heróis da Marvel/DC-Comics ('Vingadores: Endgame') e do modelo de (hiper)masculinidade que difunde. 
Já não chegava a toxicidade da propaganda feita por todos os media que promove o lixo (pretensamente) cinematográfico da grande máquina hollywoodesca sem que ninguém se indigne - todos os jornais nacionais publicaram artigos sobre o filme, tecendo elogios e enaltecendo o êxito de bilheteira, sem que as pretensas notícias fossem assinaladas como 'conteúdo patrocinado'. Ou as campanhas de merchandising das corporações de fast-food e bebidas açucaradas que intoxicam os corpos dos jovens. Com efeito, o impacto tóxico é ampliado ainda mais pelos efeitos psicológicos desastrosos dos conteúdos visuais e psico-sociais nada subtis desta indústria letal norte-americana. A publicidade a perfumes, desodorizantes, etc., também ajuda à festa, promovendo os estereótipos mais simplistas. É trágico demais para ser verdade!... E depois ainda se admiram com os assédios, a violência nas relações e a misoginia... Vejam-se as recentes barbaridades praticadas nas Queimas das Fitas, que se vêm juntar às práticas humilhantes e sexistas das praxes*, que, por sua vez, são toleradas pelas universidades, mas também pela sociedade e pelas famílias, apesar das declarações de indignação ou de boas intenções de personalidades de diversos sectores. Claro que não posso afirmar que existe uma relação directa de causa-efeito entre os filmes de hollywood e o sexismo dos jovens portugueses, mas a normalização e promoção social daqueles tem certamente influência no tipo de valores e nas práticas de socialização dos grupos mais influenciáveis e vulneráveis. 

Toxicidade da cultura da hiper-masculinidade 'made in USA', Inês Castilho (Mai 2019):
"Marcada pela antifeminilidade e violência, a masculinidade tradicional afeta mental e psiquicamente os meninos, demonstra novo estudo. Que leva a indústria cultural a estimular uma hipermasculinidade, como em “Vingadores”? (...) [O filme] tomou de assalto o imaginário de crianças e jovens. E assaltou também a alimentação, numa sinistra ação de marketing Disney-McDonald’s que brinda o consumo de mac lanches com bonecos vingadores em miniatura. Colonização de corpos e mentes, transformados em fonte de lucros inimagináveis. (…) Mais de 40 anos de pesquisas mostram que a masculinidade tradicional é psicologicamente prejudicial e que a socialização dos meninos para reprimir emoções causa danos que repercutem interna e externamente, diz a APA (Assoc. Americana de Psicologia)."

Seguem links para um post e um video sobre o mesmo tema:
'Toxic Masculinity and American Culture', Emily Kirwin (2017):
“Too often we define masculine strength by who can blow away the most people, who can flex the most muscle, who can impose their will and inflict the most damage. But this cheapens the real definition of strength and toughness. (…)  we should respect the toughness and strength of men who challenge the myth of that being a real man requires putting up a false front, disrespecting others, and engaging in violent and self-destructing behavior.” Jason Katz
'Toxic Masculinity in Boys is Fueling an Epidemic of Loneliness' (NBC News 2018): https://youtu.be/RbX76n6A160

* Ver p.ex. uma notícia recente, uma entrevista e um artigo de opinião:
https://www.jn.pt/local/noticias/porto/porto/interior/excessos-e-sexismo-nas-noites-da-queima-do-porto-10877625.html
https://observador.pt/especiais/nao-facas-a-cadeira-dele-sexismo-assedio-discriminacao-e-racismo-nas-universidades-portuguesas/
https://www.publico.pt/2014/01/27/p3/cronica/o-problema-das-praxes-nao-tem-nada-a-ver-com-praxes-1819031

terça-feira, 30 de abril de 2019

Um documentário contra o esquecimento

Esta é uma recomendação cinematográfica: 'O silêncio dos outros' (El silencio de otros) dos realizadores Almudena Carracedo e Robert Bahar (co-produzido por Pedro Almodóvar), em exibição no Cinema Ideal.
Um documentário a não perder sobre as vítimas do franquismo na vizinha Espanha e o processo judicial internacional (por intermédio da Argentina) para tentar julgar os carrascos que ficaram impunes devido à vergonhosa Lei da Amnistia (também conhecida por 'pacto do esquecimento', aprovada por todos os partidos nas Cortes em 1977).
Os realizadores dão-nos uma visão parcial mas muito tocante da dimensão das atrocidades da história recente do país vizinho, através dos dramas pessoais vividos por quem perdeu os seus familiares ou filhos (casos dos bebés sequestrados). É chocante perceber como países ditos democráticos tentam branquear a sua história e apagar a memória com o pretexto de não fomentar o rancor e o ressentimento. Como se pode ter paz num país que é conivente com a injustiça?
Fez-me lembrar os documentários de Patrizio Guzmán 'Nostalgia de la luz' e 'El boton de nacar' sobre as atrocidades da ditadura chilena de Pinochet.
Deixo links para alguns artigos sobre o tema e sobre o documentário:
https://www.dn.pt/cultura/interior/documentario-a-ferida-aberta-do-franquismo-numa-espanha-democratica-10836285.html
https://www.jn.pt/mundo/interior/franquismo-ainda-divide-a-espanha-1543263.html
https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2013/11/espanha-defende-bprescricaob-dos-crimes-da-ditadura-franquista.html
E ainda links para dois artigos sobre a aprovação recente da mudança de nomes de praças e ruas em Madrid relacionados com a ditadura franquista (mencionada no documentário):
https://www.efe.com/efe/portugal/sociedade/madrid-aprova-mudan-a-de-nomes-30-ruas-ligadas-era-franco/50000442-2796631

sexta-feira, 29 de março de 2019

A respigadora Agnès

Interrompo a 'repostagem' dos meus escritos no Google+ para deixar aqui umas palavras de apreço por uma singular respigadora de imagens chamada Agnès Varda, que faleceu hoje. O filme que me abriu as portas para o seu mundo visual e para a sua sensibilidade muito própria foi exactamente 'Les glaneurs et la glaneuse' (Os respigadores e a respigadora) lançado em 2000. Sobre esse documentário escrevi em 2011:
"(...) realizado em 2000, mostra uma realidade que nessa altura poucos conheciam. A actividade de respigar, outrora reconhecida pela sociedade, tornou-se num acto marginal, mas que constitui para muitos dos que a fazem uma questão de sobrevivência. Os respigadores contemporâneos retratados neste documentário, que vivem do que a maioria desperdiça ou rejeita, revelam-nos uma dimensão da nossa sociedade que se caracteriza pelo excesso e pelo desperdício. Penso que o documentário se tornou agora ainda mais pertinente: é em momentos de crise como aquele que atravessamos que a capacidade de resiliência humana é posta à prova."
Mais recentemente pude ver a sua penúltima obra, 'Visages, villages' (2017), filmada em parceria com um outro artista visual bem mais jovem (JR), sobre a qual escrevi: "Um delicado, sensível e bem-humorado documentário-a-duas-mãos (ou antes, dois-olhares) que nos dá a ver o desenrolar do processo de criação e de conhecimento mútuo dos seus dois autores-criadores. Quando a imaginação (e os imaginários) se abrem e se aliam à sensibilidade e à atenção ao(s) outro(s), o resultado só podia ser esplêndido."

Sobre o seu cinema, dizia a própria: "Eu não quero mostrar as coisas, mas dar às pessoas o desejo de ver." Obrigado Agnès.